O que eu consigo ver é só um terço do problema
É o Sistema que tem que mudar
Não se pode parar de notar
Se não não muda
A Juventude tem que estar a fim
Tem que se unir
O abuso do trabalho infantil, a ignorância
Só faz destruir a esperança
Na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério
Deixa ele viver.
Um pouco mais de tudo.
Um pouco menos de sol, um pouco mais de chuva, um pouco mais de tudo.
Um pouco mais de sal, um pouco menos de sopa, um pouco de alface, faz favor.
Um pouco mais de amor, um pouco menos de solidão, ainda falta algo?
Salpica mais um bocado de dinheiro para este lado, e menos dívidas a pagar, eu agradeço.
Um pouco mais de tudo, um pouco mais de nada, um pouco menos de ti.
Muito mais fechado, pouco menos aberto, meio cheio ou meio vazio, tanto faz.
Um pouco de tudo um pouco, mas ao meio não lá vai, é sempre um pouco menos ou pouco mais.
Mal passado ou bem passado, nunca agrada.
Mais alegre ou mais triste, é depressivo, é euforia.
Um pouco mais de tudo, um pouco mais de nada, um pouco mais de mim.
Um pedaço de fraqueza, um sorriso da natureza, o cinzento industrial.
Mais um pouco de textura, menos outro de largura, nunca chega ao ideal.
Nem tanto tão limpo, mas não deixes tão sujo, meio-termo.
Um pouco mais de vermelho, menos um pouco de verde, no meio o amarelo.
Um pouco mais de tudo, um pouco mais de nada, um pouco mais ou menos de nós.
Por vezes dou-me a pensar quanto vale o meu voto.
Penso na cruz escrita no papel que coloco na urna, no valor do mesmo. O que eu faço, fazem outros milhões de portugueses. O poder está no povo, apregoa-se.
Pois bem, por vezes parece-me que o meu voto não tem o mesmo poder que o voto burguês, qual assembleia geral do Benfica onde o fulano x tem direito a 10 votos, o y a 20 e a desproporcionalidade assim limita as votações.
Voltamos ao tempo da Monarquia, onde não é por sangue que se cria uma dinastia mas pela ideologia ser confinada a uma coligação que já demonstrou não ser capaz de governar o país. É certo e sabido que só havia duas soluções permentes: ou a dissolução da Ass.República e posterior convocação de eleições, ou o convite formal ao candidato designado pela minoria parlamentar, com o aval dos que querem continuar a comer de um tacho pelo qual até os seus mais antigos colaboradores (leia-se o administrativista Prof. Diogo Freitas do Amaral, Dr. Manuel Monteiro, entre outros) se colocaram de parte sendo que o primeiro foi um acérrimo defensor da opção de eleições antecipadas.
Pegando no feedback do texto de ontem, penso que urge dizer que a retoma económica tem um rosto, rosto esse que não pode servir de bandeira ou de estandarte para um novo governo. O Nirvana das opiniões de direita, o néctar dessa argumentação tem um nome, que, fosse qualquer o cenário, já tinha ditado o seu afastamento do cargo actual: a Dra. Ferreira Leite. Venha quem vier, não fará retoma nenhuma. Sendo mais realista diria"qual retoma qual quê", quando na nossa economia doméstica andamos a juntar dinheiro para umas férias eu não considero como retoma económica, mas sim uma poupança... Ou é difícil de ver que o estratagema criado passa por renascer uma Fénix das cinzas, ao mínimo sinal de esturricado da anterior governação? São como Mártires da nossa Pátria, começando no lodo e subindo, subindo, subindo de forma a que quando deixarem o Governo (!!) fizeram um explêndido trabalho, uma coisa fascinante, nunca antes vista.
Pegando ainda no facto do povo ter votado PSD... Limito-me a dizer o seguinte: Em todos os partidos existem pessoas competentes, outras mais teóricas, umas com maior capacidade de falar com o eleitorado, uns com mais psicose das elites, outros que serão eternos coitadinhos (veja-se o Dr.Carlos Carvalhas que a primeira coisa que deseja - ainda nem o Dr.Santana pegou no poder - é o seu derrube), e outros que serão eternos braços (direitos, ora essa, sanguessugas...) de partidos sem maiorias absolutas. Isso de se votar num partido - quando o que interessa é a cara - tem muitos exemplos para contradizer a sua ideia. No Porto, como contestação à divergência Fernando Gomes-Nuno Cardoso, o povo votou Rui Rio. Não por este prometer mundos e fundos, mas porque soube aproveitar uma guerrilha interna do outro partido. Outro exemplo: Em Gaia, Heitor Carvalhelhas estava a fazer um trabalho aclamado pelo povo, garantia concerteza a eleição para mais um mandato; mas a concorrência do Dr. Luis Felipe Menezes não pode ser feita por uma cara apenas do concelho... conclusão, perdeu a Câmara.
A política dos dias de hoje, quer se queira quer não, faz-se pelos candidatos e não pelos partidos. Alguém me diz que o Zapatero em Espanha tinha o mesmo glamour do candidato da direita? É óbvio que não...caramba!!
Quanto a este novo primeiro-ministro, é o que se chama de pulga política. Tem um poder de se transformar notável, desde a Figueira da Foz até ao trono no Largo do Rato, como - se não for da próxima - será duma das próximas eleições presidenciais.
Mais, o facto da extrema direita temer uma futura aliança entre os trotskistas e os socialistas, só me apetece sorrir. Com o governo de António Guterres as coisas não foram muito diferentes das actuais, além do mais não me parece que o orgulho dos mesmos o fizesse coligar com essa maioria. Para quem teme o BE, só tenho a dizer que é um "mal" necessário. É preciso oposição, é preciso pedir responsabilidades a quem lá em cima está. Não podemos cruzar os braços e deixar-mo-nos ser sodomizados pela máquina. Não podemos fechar os olhos às injustiças do nosso dia-a-dia - ou só os médicos (aqueles coitados que nem dinheiro têm para o seu iate) que têm direito a fazer greve? Temos de estar atentos e compreender o porquê de todas as forças políticas, e penso que é isso que falta a muito boa gente...
A luta continua, porque somos imperfeitos.
Provavelmente já terão reparado nas ainda dezenas de cartazes, moldes e autocolantes que começam a povoar as nossas cidades, abordando não só temas como a política como a luta contra as multi-nacionais capitalistas, mas também questões fúteis da nossa sociedade, destrajada de conteúdo e mais interessada no seu ego - um pouco à semelhança dos pagodes das bandeiras nacionais: "O que interessa é a intenção". E ficamo-nos por intenções. E o povo gosta, sorri e aplaude a intenção. Como se o facto de saber que se está a cometer um crime desculpasse o próprio delito.
Cada dia em que ligo a televisão só apetece desligá-la.
Um primeiro-ministro que diz comandar os portugueses, qual Vasco da Gama, deixando-se afastar cada vez mais da Índia - leia-se final de mandato.
Nas notícias em terra, até se pode pensar que morreu de escorbuto, mas não, apenas saltou da tripulação directamente para a caravela quinhentista europeia. E na "nossa" equipa governativa à sede de liderança. Há "números dois" com pretensões, sem terem sido eleitos.
É extremamente triste ouvir de um lado um partido rejeitar a possibilidade de eleições antecipadas, do outro, um partido sedento de alcançar de novo o poder, passados dois anos de o ter perdido.
Pior - uma constituição que permite os dois lados da medalha. Total Khéops diria Jean-Claude Izzo!
E como é insustentável estarmos a ser enganados, as paredes das nossas cidades são - já que a televisão, a rádio e a imprensa escrita são controladas pelo capitalismo desenfreado - o edital dos lamentos, reinvindicações, recordações de promessas não cumpridas (os portugueses têm crises de amnésia profunda) de toda a classe política, independentemente do quadrante, à esquerda, à direita...
Um misto de mensagem (transmissão de uma informação à sociedade, sem um receptor directamente indigitado), política (já que pode ou não abordar uma situação presente ou passada), arte (porque algumas são verdadeiras obras...) e de marketing (a imagem fica e o transeunte vai lendo, qual outdoor, e reflecte, quanto mais não seja...na sua ira quanto à poluição!).
Uma palavra final para todos aqueles que pensam que isto é sujo, é essa tal poluição que tanto recriminam. Quantos e quantos cartazes afectos a empresas capitalistas e com fins de lucro inundam as nossas cidades? Em altura de eleições quanto lixo não é colocado nas nossas paredes? Pensem nisso, pois ao menos com este "mal", pratica-se o "bem"...