Bem, este ano posso dizer que só não faço o pleno porque não vou hoje eheheh, de facto, em todos os dias do festim lá estive presente, pelos concertos e pelo ambiente típico desta festa. Já é o quarto ano que passo por lá...
Muito INEM, muito álcool, muita burocracia para entrar no recinto, demasiada proximidade entre as barracas o que faz com que em certos dias seja impossível caminhar sobre o recinto, e mais uma vez o estacionamento a dar dores de cabeça a todos os que por lá tentam colocar o automóvel. Muita polícia concentrada no local e o breu nos arredores.
Bem, sobre os concertos posso dizer que desde o inicio tinha ficado desiludido com a generalidade do cartaz apresentado, não havia nada que me "obrigasse" a estar lá por uma banda, excepto Mão Morta...
O primeiro dia, Finger Trips, não tive oportunidade de ver, mas os Orishas, apesar de serem bons músicos, não me convenceram, vestidinho de branco e tudo,bem... mas nem estiveram muito mal, para dizer a verdade...
Mão Morta, vi o concerto do principio ao fim, e como o tempo passa...tocaram grande parte de "Nus", três ou quatro músicas de albuns anteriores e terminou. Curto demais, nem um encore, nem um sorriso dos presentes. Não é fácil gostar-se de Mão Morta, é mais fácil ler-se a poesia de Adolfo Luxúria Canibal. Jorge Palma a beber àgua...ao que isto chegou eheh. Não sou grande apreciador da música, mas mais do liricismo imposto na sua extensa obra. Pouca gente para tamanho talento.
3 de Maio, mais duas bandas totalmente distintas. Os Mind Da Gap de reaccionários passam a tocar num palco onde pouco tempo depois toca Pedro Abrunhosa. Soube a pouco ambos os concertos, se o primeiro pela repetição incessante "da nossa gera", quando se justificava mais um concerto de Ace a solo, Abrunhosa - agora menos na boca do povo, tentou recuperar os Bandemónio, colocando Diana Bastos no back-vocal, quando o ano passado Cat fez essa função. O concerto deste, no ano transacto pareceu mais consistente...
Infelizmente quase não pude ver a actuação do José Cid, mas ficará marcado pelo interlúdio final deste referindo a brilhante vitória do FC Porto e que o "Corunha levou no tútu"...eheh, noutros tempos :P Quim Barreiros tinha tudo para ser a figura de proa desta queima, e deu um concerto muito louco, animando todos os presentes, mas eis que enquanto o climax do seu show estava ao rubro, começa um temporal enorme, era ver quem mais fugia para se abrigar. Muitos dançaram na chuva e continuaram sob a luz dos holofotes a apreciar as verdadeiras reliquias de Joaquim Barreiros e seus compinchas.
Toranja e Clã foram os convidados de dia 5, dia previsto para muita chuva e pouca gente. Confirmou-se, sendo bastante acessível o contacto com os lugares mais à frente do palco. O vocalista dos primeiros parece sempre aluado e continua despreocupado com o facto de se enganar nas letras...mas foi um brilhante concerto, apesar de curto para o tempo que a banda merecia. Clã, na senda do seu novo album, aproveitaram para mostrar as suas novas composições, tocar um tema dos Ornatos, "Capitão Romance", num dia de aniversário da vocalista da banda. Prenda merecida a presença de todos os que marcaram o seu lugar na queima, mesmo com previsões adversas.
Blind Zero aqueceu a noite que prometia ser a mais cheia desta queima 2004. E foi, de facto. Se bem que os fãs de Blind Zero parece que não eram muitos, estando a grande maioria à espera dos Xutos, que repetiam a sua presença já do ano passado. Sendo a quarta vez que vi Blind Zero, posso dizer que me pareceu ser o mais rock de todos, menos apegado aos singles de "A way to bleed your lover", e pela primeira vez vi o tema Trace a ser interpretado ao vivo. Xutos move multidões, não é da minha geração, mas também não me chama muito à atenção, sim é certo que tem um leque enorme de músicas rebatidas e de refrões sonantes, mas mesmo assim faltou por exemplo, à sua hora e meia de actuação, o tema Manhã Submersa...
A desilusão do cartaz foi o dia de sexta-feira. Podia ter sido uma enchente, dada a proximidade do fim-de-semana, mas depois do dia frenético (leia-se Super Bock mais barata...) muitos ficaram em casa neste dia, estando o recinto bastante mais calmo que no dia anterior. Não vi Pluto, tinha-me esquecido do bilhete em casa mal cheguei a Matosinhos... :| Cheguei sim a tempo de Lamb. Para a banda que recebeu maior cachet da queima 2004, podia ter sido uma escolha bem mais feliz. Estando estes em "baixo de forma", não atraindo propriamente multidões fora de recintos fechados (mais uma vez ficou isso provado...) e tendo os seus elementos mais energia no palco do que os fãs, acho que se jogou mais pelo "nome" da banda do que pela mobilização de pessoas ao evento. Foi um concerto interessante, há que dizê-lo, mas não mereceu grande ânimo de 90% dos que lá estavam, até quando filmavam a plateia apenas se via uns 4 ou 5 a soletrarem as letras das músicas, e muitos outros parados espectantes quiça pelo terminus do concerto.
No último dia (hoje), Gomo abrirá, sendo que provavelmente terá mais apreciadores no momento, que talvez o tribalista Carlinhos Brown, sendo o brasileiro do certame. Talvez a escolha também pudesse ter sido melhor equacionada para fechar as noites da queima, há bastantes mais nomes com maior carisma, e com outra energia que Carlinhos Brown. Talvez uma voz feminina, para contrastar com a masculinidade quase absoluta (excepto Clã e Lamb, seja feita justiça!) e que o Brasil é perito em exportar.
Para o ano há mais...e espero que...melhor!